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Categoria 2 · consolidação técnica

Circuitos, fontes e componentes

Conteúdo editorial de consolidação técnica, com conceitos, exemplos, exercícios e fontes para estudo autónomo.

Guia para quem começa

Um símbolo de circuito é um modelo resumido, não uma fotografia do componente. Para compreender uma pergunta, liga sempre quatro coisas: o símbolo, a função, o comportamento ideal e o limite real.

Um condensador armazena energia num campo eléctrico, uma bobina num campo magnético, um díodo conduz de forma assimétrica e um transístor controla uma corrente ou tensão. O circuito só faz sentido quando se explica como esses comportamentos se combinam.

Auto-verificação

Compara um condensador e uma bobina numa mudança de sinal e explica por que um díodo rectificador não deve ser tratado como uma resistência fixa.

Consultar as siglas: expressão original e significado em português.

Mapa de leitura

Quando encontrares um componente num esquema, não comeces por decorar o seu nome. Segue esta sequência:

  1. identifica o símbolo e os terminais;
  2. diz qual é a função que o circuito precisa naquele ponto;
  3. escolhe o modelo ideal apenas para fazer a primeira aproximação;
  4. confirma o limite real que pode alterar o resultado: tensão, corrente, potência, frequência, temperatura, polaridade ou dissipação.

O módulo parte de componentes passivos, passa por díodos e transístores e termina em fontes, filtros e acoplamento. Os mesmos componentes aparecem em vários circuitos, mas a função depende sempre da ligação e da frequência.

Pontos de pausa

  • Unidade A — passivos: secções 1–3; termina quando consegues ligar símbolo, função, unidade e limite real de resistência, condensador e bobina.
  • Unidade B — componentes activos: secções 4–7; termina quando distingues rectificação, polarização, controlo e acoplamento.
  • Unidade C — circuito completo: secções 8–9, diagnóstico e exercícios; avança quando consegues seguir separadamente energia e sinal.

Vocabulário mínimo

  • terminal: ponto eléctrico pelo qual o componente se liga ao circuito;
  • polarização: tensões e correntes contínuas que colocam um componente numa condição de funcionamento;
  • regime permanente: comportamento depois de terminarem os transitórios;
  • transitório: variação que ocorre durante uma mudança, como ligar, desligar ou aplicar um sinal;
  • folha de dados: documento do fabricante com limites, condições de ensaio e características do componente real.

Objectivos

No final deste módulo, o estudante deve conseguir:

  • reconhecer os símbolos e funções de resistências, condensadores e bobinas;
  • calcular associações simples de resistências e interpretar reactância;
  • explicar a junção P-N, a rectificação, a regulação Zener e a função de um LED ou varicap;
  • distinguir as regiões de funcionamento de um transístor bipolar e identificar os seus terminais;
  • explicar, em termos introdutórios, a emissão termiónica e a função de grelhas em válvulas;
  • reconhecer transformadores, fontes rectificadas, filtros e resistências de descarga;
  • escolher componentes sem ignorar tensão, corrente, frequência, dissipação e polaridade;
  • calcular associações simples de condensadores e relacioná-las com a frequência;
  • identificar ânodo, cátodo, polarização directa e inversa num díodo;
  • distinguir portadores maioritários em materiais P e N e relacionar NPN/PNP com a polaridade;
  • reconhecer circuitos de supressão de transitórios, incluindo díodo de roda livre e snubber;
  • seguir o percurso da energia e do sinal num esquema simples de rádio;
  • justificar a escolha de um componente com base na função e no limite mais importante para aquele circuito.

1. O modelo não é o componente

Um esquema usa modelos para tornar o raciocínio possível. Uma resistência ideal tem apenas R; um componente físico também tem indutância dos terminais, capacidade parasita, tolerância e uma potência máxima.

Em radiofrequência, a montagem passa a fazer parte do circuito. O encapsulamento, o comprimento das ligações, o plano de massa e o material da placa podem alterar a resposta. Um componente escolhido para baixa frequência não é automaticamente adequado para RF.

Tabela de leitura rápida

ComponenteSímboloFunção idealGrandeza/unidadeLimite real a verificarPapel típico em rádio
resistênciaRlimita a corrente e dissipa energiaresistência (Ω), potência (W)tolerância, potência, temperatura, tensão e parasitaspolarização, carga, terminação e limitação de corrente
condensadorCarmazena energia no campo eléctricocapacidade (F), tensão (V)fuga, ESR, corrente de ondulação, polaridade e auto-ressonânciaacoplamento, filtragem e desacoplamento
bobinaLarmazena energia no campo magnéticoindutância (H), corrente (A)resistência do fio, saturação, perdas, Q e auto-ressonânciasintonia, choque, filtro e acoplamento
díodoDconduz preferencialmente num sentidocorrente (A), tensão inversa (V), potência (W)queda directa, PIV, recuperação, temperatura e dissipaçãorectificação, detecção, protecção e regulação
transístorQcontrola corrente ou tensão com um sinal de controlocorrentes (A), tensões (V), ganho e potência (W)polarização, região de funcionamento, frequência e caloramplificação, comutação e oscilação
transformadorTtransfere energia por fluxo magnético variáveltensão (V), corrente (A), impedância (Ω)saturação, perdas, isolamento, frequência e potênciaalimentação, isolamento e adaptação
filtroLPF, HPF, BPFselecciona uma região de frequênciasfrequência (Hz), largura de banda e perda (dB)ripple, rejeição, impedância, potência e Qpré-selecção, supressão de harmónicos e áudio

O símbolo ajuda a reconhecer o componente, mas não determina sozinho a função do circuito. Por exemplo, o mesmo condensador pode fazer acoplamento entre dois estágios ou desacoplamento junto a uma alimentação; a diferença está na ligação e no caminho que o sinal encontra.

Regulador série da figura original: Q1 = transístor de passagem; D1 = Zener de referência; R1 = resistência de polarização; R2 = carga; C1, C2 e C3 = condensadores. A entrada e a saída estão identificadas com +25 V e +12 V. Os valores e as ligações são os do enunciado.
Regulador série da figura original: Q1 = transístor de passagem; D1 = Zener de referência; R1 = resistência de polarização; R2 = carga; C1, C2 e C3 = condensadores. A entrada e a saída estão identificadas com +25 V e +12 V. Os valores e as ligações são os do enunciado. Fonte da imagem.
Amplificador de emissor comum da figura original: R1 e R2 polarizam a base; R3 é a resistência de colector; R4 é a resistência de emissor; C1 e C2 fazem acoplamento; C3 desacopla R4 em sinal alternado. O sinal entra pela base e é recolhido no colector; preservam-se as marcações da pergunta.
Amplificador de emissor comum da figura original: R1 e R2 polarizam a base; R3 é a resistência de colector; R4 é a resistência de emissor; C1 e C2 fazem acoplamento; C3 desacopla R4 em sinal alternado. O sinal entra pela base e é recolhido no colector; preservam-se as marcações da pergunta. Fonte da imagem.
Símbolos da figura original: 1 = díodo; 2 = condensador; 3 = resistência; 4 = bobina. A mesma numeração é usada nas perguntas.
Símbolos da figura original: 1 = díodo; 2 = condensador; 3 = resistência; 4 = bobina. A mesma numeração é usada nas perguntas. Fonte da imagem.
Transístor NPN da figura original: A identifica a base, B o emissor e C o colector. A seta no emissor aponta para fora. Estas letras são os marcadores desta pergunta: B não significa aqui «base».
Transístor NPN da figura original: A identifica a base, B o emissor e C o colector. A seta no emissor aponta para fora. Estas letras são os marcadores desta pergunta: B não significa aqui «base». Fonte da imagem.
Transístor PNP da figura original: A = base; B = emissor; C = colector. A seta no emissor aponta para a base. As letras identificam os pontos do enunciado e não devem ser confundidas com as abreviaturas habituais B, C e E.
Transístor PNP da figura original: A = base; B = emissor; C = colector. A seta no emissor aponta para a base. As letras identificam os pontos do enunciado e não devem ser confundidas com as abreviaturas habituais B, C e E. Fonte da imagem.
Díodos da figura original: D1 = rectificador; D2 = varicap, reconhecível pelas placas; D3 = LED, com setas de emissão de luz; D4 = Zener, com extremos dobrados na barra do cátodo. D1–D4 são referências desta figura.
Díodos da figura original: D1 = rectificador; D2 = varicap, reconhecível pelas placas; D3 = LED, com setas de emissão de luz; D4 = Zener, com extremos dobrados na barra do cátodo. D1–D4 são referências desta figura. Fonte da imagem.

2. Resistência e associações

A resistência limita a corrente e transforma parte da energia eléctrica em calor. A potência dissipada deve ficar dentro da especificação do componente:

\[ \begin{aligned} P &= I² \times R \\ P &= V² / R \end{aligned} \]

Legenda: \(P\): potência activa dissipada (W); \(V\): tensão na resistência (V); \(I\): corrente na resistência (A); \(R\): resistência (Ω). Em CA sinusoidal, usar tensão e corrente eficazes.

Resistências em série somam-se. Em paralelo, a resistência equivalente diminui:

\[ \begin{aligned} R_{\mathrm{série}} &= R_{\mathrm{1}} + R_{\mathrm{2}} + ... \\ 1/R_{\mathrm{paralelo}} &= 1/R_{\mathrm{1}} + 1/R_{\mathrm{2}} + ... \end{aligned} \]

Legenda: \(R_{\mathrm{série}}\) e \(R_{\mathrm{paralelo}}\): resistências equivalentes das respectivas associações (Ω); \(R_{\mathrm{1}}\), \(R_{\mathrm{2}}\), …: resistências individuais (Ω); ...: continuação para os restantes componentes.

Para duas resistências iguais em paralelo, o valor equivalente é metade do valor de cada uma. O código de cores é uma forma de marcar valores em alguns componentes, mas a leitura deve ser confirmada pela documentação ou por medição adequada. O valor em ohms não chega: também é necessário confirmar tolerância, potência, coeficiente de temperatura e tensão máxima.

Para uma resistência óhmica ideal à temperatura constante, o gráfico I em função de V é uma recta que passa pela origem: duplicar a tensão duplica a corrente. Um componente real pode afastar-se desta recta com aquecimento, limitação ou comportamento não linear; nesse caso, a folha de dados e a condição de ensaio são essenciais.

Uma resistência de descarga, ou bleeder, é colocada em paralelo com um condensador ou com uma fonte para proporcionar um caminho controlado à corrente e reduzir a tensão armazenada depois de desligar. Não se deve assumir que uma resistência de descarga torna um condensador imediatamente seguro.

3. Condensador e bobina

Capacidade mede-se em farad (F) e auto-indução em henry (H). Hertz (Hz) é unidade de frequência; volt (V) é unidade de tensão. Prefixos frequentes: \(470 pF = 0,00047 μF\), \(1 nF = 10^{-9} F\), \(1 μF = 10^{-6} F\), \(1 mH = 0,001 H\) e \(1 μH = 10^{-6} H\).

Um condensador armazena energia num campo eléctrico. Num modelo ideal, a sua reactância capacitiva é:

\[ X_{\mathrm{C}} = 1 / (2π f C) \]

Legenda: \(X_{\mathrm{C}}\): reactância capacitiva (Ω); \(f\): frequência (Hz); \(C\): capacidade (F); \(π\): constante pi (aproximadamente 3,1416).

À medida que a frequência aumenta, \(X_{\mathrm{C}}\) diminui. Por isso, um condensador pode bloquear uma componente contínua e oferecer um caminho de menor impedância para uma componente alternada, dependendo do circuito. É usado, por exemplo, para acoplamento entre estágios e para desacoplamento da alimentação.

Em corrente contínua estabilizada, \(f = 0\): no modelo ideal, \(X_{\mathrm{C}}\) tende para infinito e o condensador comporta-se como circuito aberto depois de carregado. Durante a carga ou descarga existe corrente, e num componente real há fuga, resistência série e limites de tensão; por isso, “circuito aberto” descreve o estado ideal em regime permanente, não todos os instantes.

O valor, a tensão máxima, a polaridade, a corrente de ondulação e o tipo de dieléctrico importam. Um condensador electrolítico ligado ao contrário pode falhar de forma perigosa. Mesmo desligado, um condensador pode manter carga; deve ser descarregado por um método apropriado antes de ser tocado.

Uma bobina armazena energia num campo magnético. A reactância indutiva ideal é:

\[ X_{\mathrm{L}} = 2π f L \]

Legenda: \(X_{\mathrm{L}}\): reactância indutiva (Ω); \(f\): frequência (Hz); \(L\): auto-indução (H); \(π\): constante pi (aproximadamente 3,1416).

Ao aumentar a frequência, \(X_{\mathrm{L}}\) aumenta. A geometria, o número de espiras, o núcleo, as perdas e a capacidade entre espiras determinam o resultado real. Em RF, uma bobina pode atingir a auto-ressonância e deixar de se comportar como uma indutância ideal.

Em regime sinusoidal, a tensão de uma resistência está em fase com a corrente; numa bobina ideal, a tensão adianta a corrente 90° (a corrente atrasa-se); num condensador ideal, a corrente adianta a tensão 90°. A mnemónica ELI the ICE man resume a convenção: em L, E (tensão) adianta I; em C, I adianta E. Uma mudança de corrente no enrolamento primário também pode criar fluxo magnético comum e induzir tensão noutro enrolamento: é o princípio da indutância mútua e do transformador. O sentido instantâneo depende da orientação dos enrolamentos e da convenção dos pontos.

Em corrente contínua estabilizada, uma bobina ideal tem \(X_{\mathrm{L}} = 0\) e comporta-se como curto-circuito. Uma bobina real conserva a resistência do fio, pode saturar e opõe-se a mudanças rápidas de corrente; ao ligar ou desligar, a tensão induzida pode ser elevada. Assim, o “curto-circuito” é um limite do modelo ideal em regime permanente.

Uma bobina de choque, ou choke, apresenta impedância elevada à componente RF/CA que se pretende bloquear, deixando passar a componente DC quando o circuito é projectado para isso. Uma bobina de filtragem pode reduzir ondulação de uma fonte; a sua resistência DC, saturação do núcleo, corrente admissível e frequência de trabalho têm de ser confirmadas.

Associações e tipos de condensador

Em paralelo, as capacidades somam-se:

\[ C_{\mathrm{paralelo}} = C_{\mathrm{1}} + C_{\mathrm{2}} + ... \]

Legenda: \(C_{\mathrm{paralelo}}\): capacidade equivalente em paralelo (F); \(C_{\mathrm{1}}\), \(C_{\mathrm{2}}\), …: capacidades individuais (F).

Em série, o inverso da capacidade equivalente é a soma dos inversos:

\[ 1/C_{\mathrm{série}} = 1/C_{\mathrm{1}} + 1/C_{\mathrm{2}} + ... \]

Legenda: \(C_{\mathrm{série}}\): capacidade equivalente em série (F); \(C_{\mathrm{1}}\), \(C_{\mathrm{2}}\), …: capacidades individuais (F).

O condensador equivalente em série é menor do que qualquer condensador individual; em paralelo é maior do que qualquer um deles. Esta distinção aparece em redes de sintonia, filtros e desacoplamento.

Tipos comuns em rádio:

Um condensador de acoplamento pode bloquear a componente contínua e deixar passar a alternada; um condensador de desacoplamento oferece um caminho local para variações rápidas. Cerâmicos são frequentemente económicos, compactos e úteis em RF, mas a estabilidade depende do dieléctrico. Nenhuma destas funções dispensa confirmar frequência, corrente de ripple, ESR, tensão e polaridade.

Ponto de pausa 1: desenha ou descreve uma resistência, um condensador e uma bobina, indica a unidade principal e explica o que muda com a frequência.

Aplicações e condições a reter

Um condensador supressor de picos ligado ao secundário do transformador ajuda a absorver ou limitar transitórios de curta duração, conforme o circuito de supressão. Distingue-se do condensador de filtro da saída DC, cuja função principal é reduzir ondulação. Tensão admissível, energia e eventual resistência de amortecimento devem corresponder à aplicação.

A impedância é a relação entre tensão e corrente sinusoidais, considerando amplitude e fase. Escreve-se \(Z=R+jX\), com Z impedância, R resistência e X reactância, todos em Ω, e j a unidade imaginária \((j² = −1)\). Num circuito série com bobina e condensador, X é a diferença entre reactâncias indutiva e capacitiva; não somar todos os módulos como se fossem resistências.

4. Díodos e rectificação

Um díodo é uma junção P-N com condução preferencial num sentido. O terminal ligado à região P é o ânodo e o ligado à região N é o cátodo; no símbolo, a barra identifica o cátodo. Em polarização directa, o ânodo está a potencial mais positivo do que o cátodo e a barreira da junção é reduzida. Em polarização inversa, a corrente é muito menor até se atingir a ruptura especificada. O modelo de exame é qualitativo: a queda directa depende da tecnologia, da corrente e da temperatura.

ComponenteComportamento principalUtilização típica em rádio
Díodo rectificadorConduz a corrente principalmente num sentidoRectificação de uma fonte ou detecção simples
Ponte rectificadoraQuatro díodos fazem rectificação de onda completaFonte de alimentação a partir de transformador AC
ZenerTrabalha em ruptura inversa controlada, dentro da corrente previstaReferência ou limitação/regulação de tensão
LEDEmite luz quando conduz em directaIndicador de alimentação, estado ou actividade
VaricapA capacidade da junção varia com a tensão inversaSintonia electrónica, VCO e PLL

Uma ponte rectificadora de onda completa aproveita as duas alternâncias da entrada. Na rectificação de meia onda só uma alternância alimenta a carga; na onda completa a frequência da ondulação, antes da filtragem, é o dobro da frequência da entrada. Depois da ponte, a tensão ainda é pulsante; o condensador de alisamento, o regulador e a carga determinam a ondulação restante. Um Zener precisa de uma resistência ou de outra limitação de corrente adequada: ligá-lo directamente a uma fonte de baixa impedância pode destruí-lo.

Assim, a saída de meia onda é uma sucessão de pulsos separados por um semiciclo sem condução; a saída de onda completa tem pulsos em ambos os semiciclos, todos com a mesma polaridade. “Rectificada” não quer dizer “contínua perfeitamente lisa”: continua a existir ondulação até o filtro e o regulador actuarem.

Rectificador de meia onda da pergunta original: fonte sinusoidal de 100 V eficazes, díodo e resistência de carga. Num modelo ideal, o pico da tensão é aproximadamente 141 V e a tensão inversa máxima no díodo é desse valor. A figura conserva a ligação original da fonte.
Rectificador de meia onda da pergunta original: fonte sinusoidal de 100 V eficazes, díodo e resistência de carga. Num modelo ideal, o pico da tensão é aproximadamente 141 V e a tensão inversa máxima no díodo é desse valor. A figura conserva a ligação original da fonte. Fonte da imagem.

O que significam as figuras de exame

Legenda: \(V_{\mathrm{p}}\): tensão de pico da sinusóide (V); \(100 V\): tensão eficaz de entrada; \(\sqrt{2}\): factor de conversão de eficaz para pico numa sinusóide.

Para proteger uma bobina, relé ou motor DC contra a sobretensão quando a corrente é interrompida, pode usar-se um díodo de roda livre colocado em paralelo com a bobina e polarizado inversamente durante o funcionamento normal. Em cargas onde a velocidade do transitório importa, uma rede snubber RC ou um supressor apropriado pode limitar \(dv/dt\); a solução deve ser escolhida para a tensão, corrente e energia concretas.

Aplicações e condições a reter

A tensão de Zener é a tensão inversa na região de ruptura, onde a corrente inversa cresce significativamente. Nessa região, o Zener mantém uma tensão aproximadamente constante para uma gama de correntes, permitindo referência ou regulação. É necessário limitar a corrente e respeitar potência, temperatura e a gama declarada; «constante» não significa exacta para qualquer corrente.

Um díodo de junção real tem queda directa dependente do material, corrente e temperatura. Na aproximação de estudo, germânio apresenta cerca de 0,3 V e silício cerca de 0,7 V, valores dentro do intervalo de 0 a 1 V da pergunta. Não aplicar esse intervalo a todo o tipo de díodo, nomeadamente a LEDs, nem tratá-lo como tensão fixa universal.

A rectificação de meia onda pode usar um só díodo, que conduz num semiciclo. A onda completa pode usar dois díodos e um secundário com tomada central, alternando a condução entre os semiciclos, ou uma ponte de quatro díodos sem tomada central. A afirmação «dois díodos» requer aquela topologia; não basta ligar quaisquer dois díodos a qualquer secundário.

5. Transístores bipolares

Num transístor bipolar existem emissor, base e colector. Em material tipo N, os electrões são os portadores maioritários; em material tipo P, as lacunas são os portadores maioritários. Um NPN tem uma região P entre duas regiões N e um PNP uma região N entre duas regiões P. Num NPN, a seta do símbolo aponta para fora; num PNP, aponta para dentro. A corrente de base controla a condução entre colector e emissor, mas a energia do sinal amplificado vem da alimentação.

As três regiões simplificadas são:

No modelo de pequena-sinal de um BJT:

\[ \begin{aligned} I_{\mathrm{C}} ≈ β \times I_{\mathrm{B}} \\ I_{\mathrm{E}} &= I_{\mathrm{C}} + I_{\mathrm{B}} \end{aligned} \]

Legenda: \(I_{\mathrm{C}}\): corrente de colector (A); \(I_{\mathrm{B}}\): corrente de base (A); \(I_{\mathrm{E}}\): corrente de emissor (A); \(β\): ganho de corrente do transístor (sem unidade), no ponto de funcionamento considerado.

\(β\) ou \(h_{\mathrm{FE}}\) é o ganho de corrente numa condição específica. Não é uma constante universal nem deve ser usado para eliminar a necessidade de polarização. No emissor comum há ganho de tensão e inversão de fase; a resistência de emissor, a realimentação e os condensadores de bypass influenciam o ganho e a estabilidade.

Na configuração emissor comum, a entrada é aplicada entre base e emissor e a saída é observada entre colector e emissor. Um aumento da corrente de base aumenta a corrente de colector; se a carga do colector for uma resistência, a queda nessa resistência aumenta e a tensão no colector diminui. Por isso, uma variação positiva na entrada produz, no modelo usual, uma variação negativa na saída: há inversão de fase. O ganho e a frequência útil dependem da polarização, da carga e das capacidades parasitas.

Um FET usa a tensão aplicada ao terminal de controlo para influenciar a corrente do canal. A terminologia e os limites dependem do tipo de dispositivo; nunca se deve trocar os terminais sem consultar a folha de dados.

O mesmo dispositivo activo pode cumprir funções diferentes conforme a polarização e a realimentação. Um transístor pode trabalhar como amplificador na região activa, como comutador entre corte e saturação, ou como elemento activo de um oscilador quando uma rede selectiva devolve à entrada uma fracção do sinal com fase e ganho adequados. O oscilador não cria energia: converte energia da alimentação numa oscilação sustentada.

Aplicações e condições a reter

Um transístor de junção bipolar (BJT) é um dispositivo não linear de três terminais: emissor, base e colector. A polarização determina a região de funcionamento; uma pequena variação do sinal pode ser amplificada aproximadamente de forma linear em torno de um ponto adequado, sem tornar linear a característica completa do dispositivo.

A polarização estabelece tensões e correntes contínuas que definem o ponto de funcionamento do transístor antes de aplicar o sinal. Para amplificação linear, escolher a região activa e margem para a excursão AC; corte ou saturação dos picos distorcem o sinal. Polarização DC e sinal AC têm funções diferentes.

Há amplificação de tensão quando um sinal AC aplicado à entrada produz na saída uma amplitude AC maior, comparada pelo mesmo critério de pico ou valor eficaz. A energia adicional vem da alimentação. Identificar frequência, carga e limites de excursão; uma tensão DC de polarização maior não prova ganho para o sinal AC.

6. Válvulas termiónicas

Uma válvula termiónica aquece um cátodo para libertar electrões — emissão termiónica — que se deslocam em vácuo para o ânodo quando existe uma diferença de potencial adequada. Uma grelha colocada entre cátodo e ânodo controla esse fluxo.

VálvulaElementos que interessa reconhecerFunção introdutória
Díodocátodo e ânodoRectificação ou detecção
Tríodocátodo, ânodo e grelha de controloAmplificação e oscilação
Tetrodotríodo + grelha de blindagemReduz capacidade efectiva e melhora o controlo
Pentodotetrodo + grelha supressoraReduz efeitos de emissão secundária

As válvulas exigem aquecimento e tensões elevadas. A ausência de tensão depois de desligar não deve ser presumida: condensadores de fonte podem permanecer carregados.

Experiência de controlo de um tríodo: a grelha tracejada fica entre o cátodo aquecido (em baixo) e a placa/ânodo (em cima). Electron flow = fluxo de electrões, do cátodo para o ânodo; A no círculo = amperímetro; Ebb = fonte da tensão de ânodo; Ecc = fonte de polarização da grelha; S1 = interruptor. Os três painéis ilustram o efeito de mudar a polarização da grelha; os valores são exemplos do manual, não instruções de montagem.
Experiência de controlo de um tríodo: a grelha tracejada fica entre o cátodo aquecido (em baixo) e a placa/ânodo (em cima). Electron flow = fluxo de electrões, do cátodo para o ânodo; A no círculo = amperímetro; Ebb = fonte da tensão de ânodo; Ecc = fonte de polarização da grelha; S1 = interruptor. Os três painéis ilustram o efeito de mudar a polarização da grelha; os valores são exemplos do manual, não instruções de montagem. Fonte da imagem.

As válvulas perderam espaço na electrónica de consumo porque, em geral, são maiores, exigem aquecimento e tensões elevadas, dissipam mais calor e têm menor robustez mecânica/eficiência que muitos dispositivos de estado sólido. Continuam úteis em algumas aplicações de potência, áudio e micro-ondas quando as suas características são desejáveis.

Aplicações e condições a reter

O número de elementos funcionais de uma válvula conta o cátodo, o ânodo e as grelhas: tríodo tem três (uma grelha); tétrodo tem quatro (duas grelhas); pêntodo tem cinco (três grelhas). O aquecedor de um cátodo indirectamente aquecido não é contado como uma grelha adicional. A grelha de controlo fica entre cátodo e ânodo e controla o fluxo de electrões.

7. Transformadores e acoplamento

Um transformador transfere energia por acoplamento magnético entre enrolamentos. No modelo ideal, a relação de tensões acompanha a relação de espiras:

\[ V_{\mathrm{2}} / V_{\mathrm{1}} ≈ N_{\mathrm{2}} / N_{\mathrm{1}} \]

Legenda: \(V_{\mathrm{1}}\) e \(V_{\mathrm{2}}\): tensões eficazes no primário e secundário (V); \(N_{\mathrm{1}}\) e \(N_{\mathrm{2}}\): números de espiras dos respectivos enrolamentos (sem unidade).

Pode elevar ou reduzir tensão, proporcionar isolamento galvânico e adaptar impedâncias. Precisa de fluxo variável; não transfere uma tensão contínua constante como um transformador de rede ideal. Em rádio, transformadores e bobinas acopladas aparecem em fontes, filtros, FI e circuitos de adaptação.

Transformador real sob carga

O valor calculado pela relação de espiras é uma aproximação da tensão em vazio. Quando se liga uma carga, a resistência dos enrolamentos e a indutância de fuga produzem uma queda adicional: a tensão secundária pode baixar, parte da energia transforma-se em calor e o rendimento fica abaixo de 100 %. A frequência não é transformada pelo componente; segue a frequência da tensão aplicada, dentro da faixa de funcionamento do núcleo. Mede a tensão em vazio e sob a carga prevista, e confirma potência, temperatura, isolamento e folha de dados antes de concluir que um transformador está adequado.

Ponto de pausa 2: antes de combinar blocos, confirma que consegues identificar terminais, polarização e função de díodos, transístores, válvulas e transformadores sem os tratar como componentes ideais ilimitados.

8. Filtros e aplicações em radioamadorismo

Um filtro selecciona uma região de frequências. A frequência de corte não significa que o sinal desaparece instantaneamente: a transição tem uma inclinação e o filtro tem perdas, ondulação e rejeição finita.

TipoDeixa passarExemplo de utilização
Passa-baixo (LPF)Frequências abaixo do corteAtenuar harmónicos à saída de um emissor
Passa-alto (HPF)Frequências acima do corteRemover ronco de rede ou componente lenta
Passa-banda (BPF)Uma faixa limitadaPré-selecção de uma banda antes do misturador
Rejeita-bandaRejeita uma faixa delimitada; chama-se notch quando muito estreitaAtenuar interferência na faixa seleccionada

Filtros RC são simples e comuns em áudio e controlo. Filtros LC são úteis em RF porque podem ter perdas menores e selectividade superior, mas exigem atenção à impedância e ao factor de qualidade. Um passa-baixo de saída reduz harmónicos; não elimina automaticamente intermodulação criada antes do filtro nem corrige sobremodulação.

As perdas série de uma bobina ou de uma rede ressonante podem ser representadas por uma resistência parasita \(R_{\mathrm{s}}\). Uma aproximação do factor de qualidade de uma bobina na frequência de trabalho é \(Q ≈ X_{\mathrm{L}} / R_{\mathrm{s}}\); Q elevado significa menores perdas relativas e, numa rede ressonante, uma faixa mais estreita. O valor deixa de ser fiável perto da auto-ressonância ou quando a carga e o acoplamento dominam o circuito.

Legenda: \(Q\): factor de qualidade da bobina (sem unidade); \(X_{\mathrm{L}}\): reactância indutiva (Ω); \(R_{\mathrm{s}}\): resistência série equivalente de perdas (Ω), à mesma frequência.

Um amplificador sintonizado inclui uma rede ressonante que favorece uma faixa em torno da frequência de sintonia e atenua frequências afastadas. A resposta é, por isso, tipicamente passa-banda. A largura da faixa depende do factor de qualidade, do acoplamento e da carga: maior selectividade significa normalmente uma faixa mais estreita e maior sensibilidade à sintonia.

Siglas e abreviaturas usadas neste módulo

Cada entrada apresenta a expressão original, a língua e o significado em português neste contexto.

  • AC — Alternating Current (inglês): corrente alternada.
  • BJT — Bipolar Junction Transistor (inglês): transístor bipolar de junção.
  • BPF — Band-Pass Filter (inglês): filtro passa-banda.
  • CA — corrente alternada (português): equivalente à sigla inglesa AC.
  • DC — Direct Current (inglês): corrente contínua.
  • ESR — Equivalent Series Resistance (inglês): resistência série equivalente.
  • FET — Field-Effect Transistor (inglês): transístor de efeito de campo.
  • FI — frequência intermédia (português): equivalente à sigla inglesa IF.
  • HPF — High-Pass Filter (inglês): filtro passa-alto.
  • IEC — International Electrotechnical Commission (inglês): Comissão Electrotécnica Internacional.
  • LED — Light-Emitting Diode (inglês): díodo emissor de luz.
  • LPF — Low-Pass Filter (inglês): filtro passa-baixo.
  • NPN — n–p–n (convenção de semicondutores): sequência das regiões de tipo n, p e n; não é uma sigla de palavras inglesas.
  • NTC — Negative Temperature Coefficient (inglês): coeficiente de temperatura negativo.
  • PIV — Peak Inverse Voltage (inglês): tensão inversa de pico.
  • PLL — Phase-Locked Loop (inglês): malha de sincronismo de fase.
  • PNP — p–n–p (convenção de semicondutores): sequência das regiões de tipo p, n e p; não é uma sigla de palavras inglesas.
  • PTC — Positive Temperature Coefficient (inglês): coeficiente de temperatura positivo.
  • RF — Radio Frequency (inglês): radiofrequência.
  • VCO — Voltage-Controlled Oscillator (inglês): oscilador controlado por tensão.

Os códigos Q são grupos convencionais com significados definidos, não iniciais de palavras. As letras de componentes (R, L, C) representam resistência, indutância e capacidade; números como R1 ou C2 identificam componentes.

Referências terminológicas: abreviaturas da ARRL e glossário de electrónica da Analog Devices.

9. Fontes, termístores e desacoplamento

Uma fonte de alimentação deve fornecer tensão estável, corrente suficiente e protecção adequada. Uma fonte linear tende a produzir menos ruído de comutação, mas dissipa mais calor quando reduz tensão. Uma fonte comutada pode ser eficiente e compacta, mas pode introduzir ruído conduzido ou radiado; filtros, ferrites, blindagem e encaminhamento correcto ajudam a controlá-lo.

Um termístor NTC diminui a resistência quando aquece e pode limitar a corrente de arranque. Um PTC aumenta a resistência quando aquece e pode ser usado para protecção ou limitação. O comportamento concreto deve ser confirmado na folha de dados.

Condensadores de desacoplamento junto aos circuitos reduzem variações locais de alimentação. Um condensador de bypass pode oferecer um caminho de baixa impedância para RF para a massa. Estes componentes devem ser instalados com ligações curtas e uma massa adequada para a frequência em causa.

Diagnóstico guiado: seguir a energia e o sinal

Quando um circuito não funciona, evita trocar componentes ao acaso. Lê-o numa ordem fixa:

  1. confirma a fonte, a polaridade, a massa e a existência de tensão no ponto de entrada;
  2. segue o caminho da energia até à carga e procura um componente aberto, curto-circuitado ou ligado ao contrário;
  3. segue o caminho do sinal e identifica onde aparece a primeira alteração;
  4. compara a medição com o limite do componente, não apenas com o valor nominal esperado;
  5. interrompe o teste se houver aquecimento anormal, tensão desconhecida, condensador carregado ou risco de curto-circuito.
SintomaPrimeiro ponto a verificarConclusão que ainda não se pode tirar
fonte rectificada com ondulação elevadacapacidade, ESR, corrente da carga e frequência de rectificaçãoque o díodo esteja necessariamente avariado
Zener aquece ou a tensão não estabilizaresistência limitadora, corrente e potência do Zenerque a tensão nominal da fonte seja suficiente para regular
transístor aquece sem sinal útilpolarização, região de funcionamento, carga e dissipaçãoque o ganho seja a única causa
filtro atenua também o sinal desejadofrequência de corte, terminação e largura de bandaque um filtro “mais forte” seja automaticamente melhor
circuito de RF muda ao tocar na montagemmassa, comprimento das ligações e capacidade parasitaque o componente tenha mudado de valor nominal

Este diagnóstico é uma sequência de estudo. Em equipamento ligado à rede ou em fontes com tensão elevada, a medição deve ser feita por pessoa habilitada e com procedimento apropriado.

Exercícios

Tenta responder antes de abrir a resposta.

1Reconhecimento — Duas resistências de \(100 Ω\) em paralelo resultam em quê?
Resposta

para duas resistências iguais, \(R_{eq}=R/2=100\,Ω/2=50\,Ω\).

2Cálculo — Se uma resistência de \(25 Ω\) recebe \(10 V\), que potência dissipa?
Resposta

\(P = V² / R = 10² / 25 = 4 W\).

3Relação — Se a frequência aumenta por um factor de 10, como variam \(X_{\mathrm{C}}\) e \(X_{\mathrm{L}}\), mantendo os restantes valores?
Resposta

\(X_{\mathrm{C}}\) diminui por um factor de 10 e \(X_{\mathrm{L}}\) aumenta por um factor de 10.

4Rectificação — Qual é a função de uma ponte com quatro díodos e do condensador colocado depois dela?
Resposta

a ponte faz rectificação de onda completa; o condensador reduz a ondulação, mas não substitui o regulador.

5Segurança — Porque precisa um Zener de limitação de corrente?
Resposta

porque ligado directamente a uma fonte de baixa impedância pode conduzir corrente excessiva, aquecer e falhar.

6Transístor — Para \(β = 100\) e \(I_{\mathrm{B}} = 20 µA\), que corrente de colector dá o modelo simples?
Resposta

\(I_{\mathrm{C}} ≈ β \times I_{\mathrm{B}} = 2 mA\), desde que o transístor esteja na região activa.

7Filtros — Para que serve um filtro passa-baixo na saída de um emissor?
Resposta

para atenuar harmónicos acima da banda pretendida; não corrige automaticamente uma intermodulação criada antes do filtro.

8Componentes — Porque se confirma a tensão de trabalho de um condensador?
Resposta

porque ultrapassá-la pode provocar fuga, falha do dieléctrico e risco de segurança.

9Cálculo — Dois condensadores de \(100 nF\) em paralelo e em série equivalem a que valores?
Resposta

em paralelo, \(C_{eq}=C_{\mathrm{1}}+C_{\mathrm{2}}=100+100=200\,\mathrm{nF}\). Em série e com valores iguais, \(C_{eq}=C/2=100/2=50\,\mathrm{nF}\).

10Díodos — Que terminal é identificado pela barra do símbolo?
Resposta

o cátodo.

11Transístores — Qual é a diferença essencial entre NPN e PNP?
Resposta

a sequência das regiões semicondutoras e as polaridades usuais de polarização; a seta do emissor ajuda a identificar o tipo.

12Protecção — Para que serve um díodo de roda livre numa bobina?
Resposta

fornece um caminho à corrente quando o interruptor abre e limita o pico de tensão induzida.

13Cálculo — Uma fonte de 100 V rms aplicada a um rectificador de meia onda tem que pico aproximado?
Resposta

\(V_{\mathrm{p}} = 100 \times \sqrt{2} ≈ 141 V\); no modelo ideal, esse valor aproxima a tensão inversa máxima no díodo.

14Símbolos — No esquema de símbolos deste módulo, como se distinguem o díodo Zener e o LED?Figura original image-49: D1 rectificador, D2 varicap, D3 LED e D4 Zener.
Resposta

o Zener tem a barra do cátodo com os extremos dobrados e o LED tem duas setas a sair do símbolo do díodo.

15Regime permanente — Em corrente contínua estabilizada, como se comportam os modelos ideais de condensador e bobina?
Resposta

o condensador como circuito aberto depois de carregado e a bobina como curto-circuito; os transitórios e componentes reais exigem ressalvas.

16Ressonância — Porque é tipicamente passa-banda a resposta de um amplificador sintonizado?
Resposta

porque a rede ressonante favorece uma faixa em torno da frequência de sintonia e atenua frequências afastadas.

17Oscilação — Um transístor pode ser usado como oscilador?
Resposta

sim, com polarização, ganho e realimentação selectiva adequados; a energia da oscilação vem da alimentação.

18Diagnóstico — Uma fonte rectificada apresenta muita ondulação. Que pontos verificas primeiro?
Resposta

capacidade, ESR, corrente da carga, frequência de rectificação, ligações de massa e regulador; não se conclui logo que o díodo esteja avariado.

19Diagnóstico — Um LED é ligado a uma fonte sem resistência limitadora. Qual é o risco principal?
Resposta

a corrente pode exceder o limite do LED e destruí-lo; deve existir limitação adequada à tensão e à corrente do circuito.

20Decisão — Um transístor aquece e o sinal de saída é pequeno. O que deve ser verificado antes de trocar o componente?
Resposta

polarização, região de funcionamento, carga, frequência, dissipação e ligações; um ganho insuficiente não prova por si só que o transístor esteja avariado.

21Transformador real — O que pode acontecer à tensão secundária quando uma carga é ligada?
Resposta

pode baixar ligeiramente por resistência dos enrolamentos e fugas; parte da energia transforma-se em calor, embora a frequência siga a da fonte aplicada.

12. Erros frequentes

  • tratar condensador e bobina como se tivessem a mesma resposta à frequência;
  • escolher uma resistência apenas pelo valor em ohms e ignorar a potência;
  • ligar um electrolítico ou um Zener sem confirmar polaridade e condições de trabalho;
  • assumir que a corrente de base pode ser calculada sem verificar a região de funcionamento;
  • confundir um filtro passa-baixo com um filtro passa-banda;
  • esquecer que um condensador carregado, uma fonte de válvulas ou uma bateria podem conservar energia;
  • usar um componente sem respeitar a folha de dados, a frequência, a temperatura e a dissipação.

13. Resumo e glossário

Um circuito combina componentes com funções diferentes. A resistência limita e dissipa; o condensador e a bobina armazenam energia em campos diferentes; o díodo conduz de forma assimétrica; o transístor controla; o transformador transfere por fluxo variável; o filtro selecciona frequências. Em cada caso, o modelo ideal é apenas o primeiro passo: o componente real tem limites e parasitas.

Termos para rever: resistência, capacidade, indutância, reactância, polarização, rectificação, ondulação, cátodo, ânodo, Zener, varicap, região activa, saturação, corte, emissor, base, colector, grelha, transformador, acoplamento, filtro, frequência de corte, desacoplamento, ESR e dissipação.

Fontes e versão

Tipo de conteúdo: explicação técnica e exercícios didácticos, apoiados no programa de exame e em referências de física/electrónica. Não substitui uma folha de dados, um procedimento de segurança ou uma fonte normativa aplicável.

Data de verificação: 2026-08-24. Os valores usados nos exercícios são exemplos didácticos; um componente real deve ser seleccionado pela respectiva folha de dados.