Categoria 2 · consolidação técnica
Circuitos, fontes e componentes
Conteúdo editorial de consolidação técnica, com conceitos, exemplos, exercícios e fontes para estudo autónomo.
Activar o destaque das passagens revistas que ajudam a responder a 95 perguntas deste módulo. O texto completo continua disponível.
Destaque desligadoGuia para quem começa
Um símbolo de circuito é um modelo resumido, não uma fotografia do componente. Para compreender uma pergunta, liga sempre quatro coisas: o símbolo, a função, o comportamento ideal e o limite real.
Um condensador armazena energia num campo eléctrico, uma bobina num campo magnético, um díodo conduz de forma assimétrica e um transístor controla uma corrente ou tensão. O circuito só faz sentido quando se explica como esses comportamentos se combinam.
Auto-verificação
Compara um condensador e uma bobina numa mudança de sinal e explica por que um díodo rectificador não deve ser tratado como uma resistência fixa.
Consultar as siglas: expressão original e significado em português.
Mapa de leitura
Quando encontrares um componente num esquema, não comeces por decorar o seu nome. Segue esta sequência:
- identifica o símbolo e os terminais;
- diz qual é a função que o circuito precisa naquele ponto;
- escolhe o modelo ideal apenas para fazer a primeira aproximação;
- confirma o limite real que pode alterar o resultado: tensão, corrente, potência, frequência, temperatura, polaridade ou dissipação.
O módulo parte de componentes passivos, passa por díodos e transístores e termina em fontes, filtros e acoplamento. Os mesmos componentes aparecem em vários circuitos, mas a função depende sempre da ligação e da frequência.
Pontos de pausa
- Unidade A — passivos: secções 1–3; termina quando consegues ligar símbolo, função, unidade e limite real de resistência, condensador e bobina.
- Unidade B — componentes activos: secções 4–7; termina quando distingues rectificação, polarização, controlo e acoplamento.
- Unidade C — circuito completo: secções 8–9, diagnóstico e exercícios; avança quando consegues seguir separadamente energia e sinal.
Vocabulário mínimo
- terminal: ponto eléctrico pelo qual o componente se liga ao circuito;
- polarização: tensões e correntes contínuas que colocam um componente numa condição de funcionamento;
- regime permanente: comportamento depois de terminarem os transitórios;
- transitório: variação que ocorre durante uma mudança, como ligar, desligar ou aplicar um sinal;
- folha de dados: documento do fabricante com limites, condições de ensaio e características do componente real.
Objectivos
No final deste módulo, o estudante deve conseguir:
- reconhecer os símbolos e funções de resistências, condensadores e bobinas;
- calcular associações simples de resistências e interpretar reactância;
- explicar a junção P-N, a rectificação, a regulação Zener e a função de um LED ou varicap;
- distinguir as regiões de funcionamento de um transístor bipolar e identificar os seus terminais;
- explicar, em termos introdutórios, a emissão termiónica e a função de grelhas em válvulas;
- reconhecer transformadores, fontes rectificadas, filtros e resistências de descarga;
- escolher componentes sem ignorar tensão, corrente, frequência, dissipação e polaridade;
- calcular associações simples de condensadores e relacioná-las com a frequência;
- identificar ânodo, cátodo, polarização directa e inversa num díodo;
- distinguir portadores maioritários em materiais P e N e relacionar NPN/PNP com a polaridade;
- reconhecer circuitos de supressão de transitórios, incluindo díodo de roda livre e snubber;
- seguir o percurso da energia e do sinal num esquema simples de rádio;
- justificar a escolha de um componente com base na função e no limite mais importante para aquele circuito.
1. O modelo não é o componente
Um esquema usa modelos para tornar o raciocínio possível. Uma resistência ideal tem apenas R; um componente físico também tem indutância dos terminais, capacidade parasita, tolerância e uma potência máxima.
Em radiofrequência, a montagem passa a fazer parte do circuito. O encapsulamento, o comprimento das ligações, o plano de massa e o material da placa podem alterar a resposta. Um componente escolhido para baixa frequência não é automaticamente adequado para RF.
Tabela de leitura rápida
| Componente | Símbolo | Função ideal | Grandeza/unidade | Limite real a verificar | Papel típico em rádio |
|---|---|---|---|---|---|
| resistência | R | limita a corrente e dissipa energia | resistência (Ω), potência (W) | tolerância, potência, temperatura, tensão e parasitas | polarização, carga, terminação e limitação de corrente |
| condensador | C | armazena energia no campo eléctrico | capacidade (F), tensão (V) | fuga, ESR, corrente de ondulação, polaridade e auto-ressonância | acoplamento, filtragem e desacoplamento |
| bobina | L | armazena energia no campo magnético | indutância (H), corrente (A) | resistência do fio, saturação, perdas, Q e auto-ressonância | sintonia, choque, filtro e acoplamento |
| díodo | D | conduz preferencialmente num sentido | corrente (A), tensão inversa (V), potência (W) | queda directa, PIV, recuperação, temperatura e dissipação | rectificação, detecção, protecção e regulação |
| transístor | Q | controla corrente ou tensão com um sinal de controlo | correntes (A), tensões (V), ganho e potência (W) | polarização, região de funcionamento, frequência e calor | amplificação, comutação e oscilação |
| transformador | T | transfere energia por fluxo magnético variável | tensão (V), corrente (A), impedância (Ω) | saturação, perdas, isolamento, frequência e potência | alimentação, isolamento e adaptação |
| filtro | LPF, HPF, BPF | selecciona uma região de frequências | frequência (Hz), largura de banda e perda (dB) | ripple, rejeição, impedância, potência e Q | pré-selecção, supressão de harmónicos e áudio |
O símbolo ajuda a reconhecer o componente, mas não determina sozinho a função do circuito. Por exemplo, o mesmo condensador pode fazer acoplamento entre dois estágios ou desacoplamento junto a uma alimentação; a diferença está na ligação e no caminho que o sinal encontra.
2. Resistência e associações
A resistência limita a corrente e transforma parte da energia eléctrica em calor. A potência dissipada deve ficar dentro da especificação do componente:
Legenda: \(P\): potência activa dissipada (W); \(V\): tensão na resistência (V); \(I\): corrente na resistência (A); \(R\): resistência (Ω). Em CA sinusoidal, usar tensão e corrente eficazes.
Resistências em série somam-se. Em paralelo, a resistência equivalente diminui:
Ver 7 perguntas relacionadas
- Pergunta 92 — Qual a resistência total de duas resistências de 12,5 Ohm cada, quando ligadas em série?
- Pergunta 93 — A associação que resulta numa resistência equivalente de 600 Ohm é a série das seguintes resistências
- Pergunta 94 — A associação que resulta numa resistência equivalente de 200 ohms é a série das seguintes resistências:
- Pergunta 96 — Para obter uma resistência equivalente de 1 kohm é necessário associar:
- Pergunta 273 — A associação em série de três resistências de 20 Ohm equivale a uma resistência de
- Pergunta 390 — Qual a resistência total de duas resistências de 25 ohms cada, quando ligadas em série?
- Pergunta 395 — Que componente se deverá adicionar a um resistência de forma a aumentar a resistência do circuito?
Ver 18 perguntas relacionadas
- Pergunta 92 — Qual a resistência total de duas resistências de 12,5 Ohm cada, quando ligadas em série?
- Pergunta 93 — A associação que resulta numa resistência equivalente de 600 Ohm é a série das seguintes resistências
- Pergunta 94 — A associação que resulta numa resistência equivalente de 200 ohms é a série das seguintes resistências:
- Pergunta 95 — Para obter uma resistência equivalente de 62,5 Ohm é necessário associar
- Pergunta 96 — Para obter uma resistência equivalente de 1 kohm é necessário associar:
- Pergunta 97 — Para se obter uma resistência equivalente de 4 ohms devem ser associadas:
- Pergunta 98 — Para se obter uma resistência equivalente de 8 ohms devem ser associadas:
- Pergunta 99 — Se duas resistências de igual valor, estão associadas em paralelo, a resistência total será
- Pergunta 100 — A resistência equivalente a uma associação de 10 resistências de 100 Ohm cada uma, em paralelo, é de:
- Pergunta 101 — A resistência equivalente a uma associação de 100 resistências de 100 Ohm cada uma, em paralelo, é de:
- Pergunta 273 — A associação em série de três resistências de 20 Ohm equivale a uma resistência de
- Pergunta 307 — Qual a resistência total de duas resistências de 66 Ohm quando ligadas em paralelo?
- Pergunta 308 — Qual a resistência total de duas resistências de 33 Ohm quando ligadas em paralelo?
- Pergunta 390 — Qual a resistência total de duas resistências de 25 ohms cada, quando ligadas em série?
- Pergunta 391 — Qual a resistência total de duas resistências de 33 ohms quando ligadas em paralelo?
- Pergunta 392 — Qual a resistência total de duas resistências de 66 ohms quando ligadas em paralelo?
- Pergunta 394 — Qual a resistência total de 3 resistencias ligados em paralelo, um de 10 ohms, o segundo de 20 ohms e o terceiro de 50 ohms?
- Pergunta 395 — Que componente se deverá adicionar a um resistência de forma a aumentar a resistência do circuito?
Legenda: \(R_{\mathrm{série}}\) e \(R_{\mathrm{paralelo}}\): resistências equivalentes das respectivas associações (Ω); \(R_{\mathrm{1}}\), \(R_{\mathrm{2}}\), …: resistências individuais (Ω); ...: continuação para os restantes componentes.
Para duas resistências iguais em paralelo, o valor equivalente é metade do valor de cada uma. O código de cores é uma forma de marcar valores em alguns componentes, mas a leitura deve ser confirmada pela documentação ou por medição adequada. O valor em ohms não chega: também é necessário confirmar tolerância, potência, coeficiente de temperatura e tensão máxima.
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- Pergunta 99 — Se duas resistências de igual valor, estão associadas em paralelo, a resistência total será
- Pergunta 307 — Qual a resistência total de duas resistências de 66 Ohm quando ligadas em paralelo?
- Pergunta 308 — Qual a resistência total de duas resistências de 33 Ohm quando ligadas em paralelo?
- Pergunta 391 — Qual a resistência total de duas resistências de 33 ohms quando ligadas em paralelo?
- Pergunta 392 — Qual a resistência total de duas resistências de 66 ohms quando ligadas em paralelo?
Para uma resistência óhmica ideal à temperatura constante, o gráfico I em função de V é uma recta que passa pela origem: duplicar a tensão duplica a corrente. Um componente real pode afastar-se desta recta com aquecimento, limitação ou comportamento não linear; nesse caso, a folha de dados e a condição de ensaio são essenciais.
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Uma resistência de descarga, ou bleeder, é colocada em paralelo com um condensador ou com uma fonte para proporcionar um caminho controlado à corrente e reduzir a tensão armazenada depois de desligar. Não se deve assumir que uma resistência de descarga torna um condensador imediatamente seguro.
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3. Condensador e bobina
Capacidade mede-se em farad (F) e auto-indução em henry (H). Hertz (Hz) é unidade de frequência; volt (V) é unidade de tensão. Prefixos frequentes: \(470 pF = 0,00047 μF\), \(1 nF = 10^{-9} F\), \(1 μF = 10^{-6} F\), \(1 mH = 0,001 H\) e \(1 μH = 10^{-6} H\).
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Um condensador armazena energia num campo eléctrico. Num modelo ideal, a sua reactância capacitiva é:
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Legenda: \(X_{\mathrm{C}}\): reactância capacitiva (Ω); \(f\): frequência (Hz); \(C\): capacidade (F); \(π\): constante pi (aproximadamente 3,1416).
À medida que a frequência aumenta, \(X_{\mathrm{C}}\) diminui. Por isso, um condensador pode bloquear uma componente contínua e oferecer um caminho de menor impedância para uma componente alternada, dependendo do circuito. É usado, por exemplo, para acoplamento entre estágios e para desacoplamento da alimentação.
Em corrente contínua estabilizada, \(f = 0\): no modelo ideal, \(X_{\mathrm{C}}\) tende para infinito e o condensador comporta-se como circuito aberto depois de carregado. Durante a carga ou descarga existe corrente, e num componente real há fuga, resistência série e limites de tensão; por isso, “circuito aberto” descreve o estado ideal em regime permanente, não todos os instantes.
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O valor, a tensão máxima, a polaridade, a corrente de ondulação e o tipo de dieléctrico importam. Um condensador electrolítico ligado ao contrário pode falhar de forma perigosa. Mesmo desligado, um condensador pode manter carga; deve ser descarregado por um método apropriado antes de ser tocado.
Uma bobina armazena energia num campo magnético. A reactância indutiva ideal é:
Legenda: \(X_{\mathrm{L}}\): reactância indutiva (Ω); \(f\): frequência (Hz); \(L\): auto-indução (H); \(π\): constante pi (aproximadamente 3,1416).
Ao aumentar a frequência, \(X_{\mathrm{L}}\) aumenta. A geometria, o número de espiras, o núcleo, as perdas e a capacidade entre espiras determinam o resultado real. Em RF, uma bobina pode atingir a auto-ressonância e deixar de se comportar como uma indutância ideal.
Em regime sinusoidal, a tensão de uma resistência está em fase com a corrente; numa bobina ideal, a tensão adianta a corrente 90° (a corrente atrasa-se); num condensador ideal, a corrente adianta a tensão 90°. A mnemónica ELI the ICE man resume a convenção: em L, E (tensão) adianta I; em C, I adianta E. Uma mudança de corrente no enrolamento primário também pode criar fluxo magnético comum e induzir tensão noutro enrolamento: é o princípio da indutância mútua e do transformador. O sentido instantâneo depende da orientação dos enrolamentos e da convenção dos pontos.
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Em corrente contínua estabilizada, uma bobina ideal tem \(X_{\mathrm{L}} = 0\) e comporta-se como curto-circuito. Uma bobina real conserva a resistência do fio, pode saturar e opõe-se a mudanças rápidas de corrente; ao ligar ou desligar, a tensão induzida pode ser elevada. Assim, o “curto-circuito” é um limite do modelo ideal em regime permanente.
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Uma bobina de choque, ou choke, apresenta impedância elevada à componente RF/CA que se pretende bloquear, deixando passar a componente DC quando o circuito é projectado para isso. Uma bobina de filtragem pode reduzir ondulação de uma fonte; a sua resistência DC, saturação do núcleo, corrente admissível e frequência de trabalho têm de ser confirmadas.
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Associações e tipos de condensador
Em paralelo, as capacidades somam-se:
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Legenda: \(C_{\mathrm{paralelo}}\): capacidade equivalente em paralelo (F); \(C_{\mathrm{1}}\), \(C_{\mathrm{2}}\), …: capacidades individuais (F).
Em série, o inverso da capacidade equivalente é a soma dos inversos:
Legenda: \(C_{\mathrm{série}}\): capacidade equivalente em série (F); \(C_{\mathrm{1}}\), \(C_{\mathrm{2}}\), …: capacidades individuais (F).
O condensador equivalente em série é menor do que qualquer condensador individual; em paralelo é maior do que qualquer um deles. Esta distinção aparece em redes de sintonia, filtros e desacoplamento.
Tipos comuns em rádio:
- cerâmico: pequeno, baixa indutância parasita e útil para desacoplamento/RF; o comportamento depende do dieléctrico e da tensão aplicada;
- filme: estável e com perdas reduzidas em muitas aplicações de áudio e RF;
- poliestireno: baixa perda e boa estabilidade em filtros/temporização de baixa e média frequência, mas limitado por temperatura, tamanho e disponibilidade;
- papel: tecnologia histórica, hoje menos comum e com estabilidade/perdas dependentes da construção;
- electrolítico: grande capacidade por volume, normalmente polarizado e com tensão de trabalho definida;
- tântalo: polarizado e compacto, mas sensível a sobretensão, corrente de arranque e inversão;
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- variável ou trimmer: capacidade ajustável mecanicamente para sintonia;
- de passagem/feed-through: construído para desviar RF através de uma parede ou ponto de entrada, com a montagem a fazer parte do desempenho.
Um condensador de acoplamento pode bloquear a componente contínua e deixar passar a alternada; um condensador de desacoplamento oferece um caminho local para variações rápidas. Cerâmicos são frequentemente económicos, compactos e úteis em RF, mas a estabilidade depende do dieléctrico. Nenhuma destas funções dispensa confirmar frequência, corrente de ripple, ESR, tensão e polaridade.
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Ponto de pausa 1: desenha ou descreve uma resistência, um condensador e uma bobina, indica a unidade principal e explica o que muda com a frequência.
Aplicações e condições a reter
Um condensador supressor de picos ligado ao secundário do transformador ajuda a absorver ou limitar transitórios de curta duração, conforme o circuito de supressão. Distingue-se do condensador de filtro da saída DC, cuja função principal é reduzir ondulação. Tensão admissível, energia e eventual resistência de amortecimento devem corresponder à aplicação.
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A impedância é a relação entre tensão e corrente sinusoidais, considerando amplitude e fase. Escreve-se \(Z=R+jX\), com Z impedância, R resistência e X reactância, todos em Ω, e j a unidade imaginária \((j² = −1)\). Num circuito série com bobina e condensador, X é a diferença entre reactâncias indutiva e capacitiva; não somar todos os módulos como se fossem resistências.
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4. Díodos e rectificação
Um díodo é uma junção P-N com condução preferencial num sentido. O terminal ligado à região P é o ânodo e o ligado à região N é o cátodo; no símbolo, a barra identifica o cátodo. Em polarização directa, o ânodo está a potencial mais positivo do que o cátodo e a barreira da junção é reduzida. Em polarização inversa, a corrente é muito menor até se atingir a ruptura especificada. O modelo de exame é qualitativo: a queda directa depende da tecnologia, da corrente e da temperatura.
Ver 3 perguntas relacionadas
- Pergunta 118 — Um díodo de junção é constituído por
- Pergunta 119 — Um díodo de junção ideal inserido em série num circuito de corrente alternada comporta-se, num determinado ciclo da corrente como um
- Pergunta 301 — Para utilizar o díodo de forma a bloquear o fluxo de corrente no circuito, onde deverá ser ligado o fio do positivo do circuito?
| Componente | Comportamento principal | Utilização típica em rádio |
|---|---|---|
| Díodo rectificador | Conduz a corrente principalmente num sentido | Rectificação de uma fonte ou detecção simples |
| Ponte rectificadora | Quatro díodos fazem rectificação de onda completa | Fonte de alimentação a partir de transformador AC |
| Zener | Trabalha em ruptura inversa controlada, dentro da corrente prevista | Referência ou limitação/regulação de tensão |
| LED | Emite luz quando conduz em directa | Indicador de alimentação, estado ou actividade |
| Varicap | A capacidade da junção varia com a tensão inversa | Sintonia electrónica, VCO e PLL |
Uma ponte rectificadora de onda completa aproveita as duas alternâncias da entrada. Na rectificação de meia onda só uma alternância alimenta a carga; na onda completa a frequência da ondulação, antes da filtragem, é o dobro da frequência da entrada. Depois da ponte, a tensão ainda é pulsante; o condensador de alisamento, o regulador e a carga determinam a ondulação restante. Um Zener precisa de uma resistência ou de outra limitação de corrente adequada: ligá-lo directamente a uma fonte de baixa impedância pode destruí-lo.
Ver 4 perguntas relacionadas
- Pergunta 146 — Numa fonte de alimentação não comutada com transformador, a introdução de um díodo em série entre o secundário do transformador e um circuito de carga
- Pergunta 149 — Uma ponte rectificadora efetua
- Pergunta 283 — Uma fonte de alimentação não comutada com entrada a partir da rede, para alimentar um circuito que trabalha com 12 Volt DC
- Pergunta 299 — É típico nas fontes de alimentação não comutadas termos um condensador electrolítico de elevada capacidade com o objectivo de
Assim, a saída de meia onda é uma sucessão de pulsos separados por um semiciclo sem condução; a saída de onda completa tem pulsos em ambos os semiciclos, todos com a mesma polaridade. “Rectificada” não quer dizer “contínua perfeitamente lisa”: continua a existir ondulação até o filtro e o regulador actuarem.
Ver 1 pergunta relacionada
O que significam as figuras de exame
- Numa fonte de
100 V rms, o valor de pico é \(V_{\mathrm{p}} = 100\sqrt{2} ≈ 141 V\); não se deve confundir o valor eficaz da fonte com a tensão inversa máxima que o díodo pode ter de suportar.Ver 1 pergunta relacionada
- Na família de símbolos, uma barra simples identifica o cátodo de um díodo rectificador; no Zener, a barra tem os extremos dobrados; no varicap, aparecem duas placas paralelas; setas a sair representam a luz emitida por um LED.
Ver 1 pergunta relacionada
- Na figura original
image-49,D1é o rectificador,D2é o varicap,D3é o LED eD4é o Zener. Esta correspondência só vale para essa figura: noutra pergunta, é necessário observar o desenho e não memorizar a posição. - Num transístor bipolar,
Bé a base,Co colector eEo emissor. A seta do emissor distingue NPN e PNP, mas a orientação do desenho deve ser lida antes de nomear cada terminal.
Legenda: \(V_{\mathrm{p}}\): tensão de pico da sinusóide (V); \(100 V\): tensão eficaz de entrada; \(\sqrt{2}\): factor de conversão de eficaz para pico numa sinusóide.
Para proteger uma bobina, relé ou motor DC contra a sobretensão quando a corrente é interrompida, pode usar-se um díodo de roda livre colocado em paralelo com a bobina e polarizado inversamente durante o funcionamento normal. Em cargas onde a velocidade do transitório importa, uma rede snubber RC ou um supressor apropriado pode limitar \(dv/dt\); a solução deve ser escolhida para a tensão, corrente e energia concretas.
Aplicações e condições a reter
A tensão de Zener é a tensão inversa na região de ruptura, onde a corrente inversa cresce significativamente. Nessa região, o Zener mantém uma tensão aproximadamente constante para uma gama de correntes, permitindo referência ou regulação. É necessário limitar a corrente e respeitar potência, temperatura e a gama declarada; «constante» não significa exacta para qualquer corrente.
Ver 2 perguntas relacionadas
Um díodo de junção real tem queda directa dependente do material, corrente e temperatura. Na aproximação de estudo, germânio apresenta cerca de 0,3 V e silício cerca de 0,7 V, valores dentro do intervalo de 0 a 1 V da pergunta. Não aplicar esse intervalo a todo o tipo de díodo, nomeadamente a LEDs, nem tratá-lo como tensão fixa universal.
Ver 1 pergunta relacionada
A rectificação de meia onda pode usar um só díodo, que conduz num semiciclo. A onda completa pode usar dois díodos e um secundário com tomada central, alternando a condução entre os semiciclos, ou uma ponte de quatro díodos sem tomada central. A afirmação «dois díodos» requer aquela topologia; não basta ligar quaisquer dois díodos a qualquer secundário.
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5. Transístores bipolares
Num transístor bipolar existem emissor, base e colector. Em material tipo N, os electrões são os portadores maioritários; em material tipo P, as lacunas são os portadores maioritários. Um NPN tem uma região P entre duas regiões N e um PNP uma região N entre duas regiões P. Num NPN, a seta do símbolo aponta para fora; num PNP, aponta para dentro. A corrente de base controla a condução entre colector e emissor, mas a energia do sinal amplificado vem da alimentação.
Ver 5 perguntas relacionadas
As três regiões simplificadas são:
- corte: as junções não estão polarizadas para condução normal; a corrente de colector é muito pequena;
- activa: o transístor pode funcionar como amplificador; uma variação de base produz uma variação maior no colector;
Ver 2 perguntas relacionadas
- saturação: ambas as junções estão fortemente conduzidas; o transístor funciona como interruptor fechado e deixa de ser um amplificador linear.
No modelo de pequena-sinal de um BJT:
Ver 4 perguntas relacionadas
- Pergunta 152 — Se num amplificador de emissor à massa, a corrente no coletor for de 45 mA e a corrente na base 1,5 mA, qual é o ganho de corrente em regime contínuo?
- Pergunta 154 — Uma corrente de 20 mA circula entre a base e o emissor de um transístor que apresenta um ganho de 40.Em consequência, entre coletor e emissor circula uma corrente de:
- Pergunta 155 — A corrente que circula entre o colector e o emissor de um transistor é 8 mA, e a corrente que circula entre a base e o emissor do mesmo transistor é 400 µA. Qual é o ganho de corrente apresentado?
- Pergunta 156 — Num transístor a corrente que circula entre o colector e o emissor é de 80 mA. Se entre a base e o emissor circular uma corrente de 400 µA, qual o seu ganho?
Legenda: \(I_{\mathrm{C}}\): corrente de colector (A); \(I_{\mathrm{B}}\): corrente de base (A); \(I_{\mathrm{E}}\): corrente de emissor (A); \(β\): ganho de corrente do transístor (sem unidade), no ponto de funcionamento considerado.
\(β\) ou \(h_{\mathrm{FE}}\) é o ganho de corrente numa condição específica. Não é uma constante universal nem deve ser usado para eliminar a necessidade de polarização. No emissor comum há ganho de tensão e inversão de fase; a resistência de emissor, a realimentação e os condensadores de bypass influenciam o ganho e a estabilidade.
Na configuração emissor comum, a entrada é aplicada entre base e emissor e a saída é observada entre colector e emissor. Um aumento da corrente de base aumenta a corrente de colector; se a carga do colector for uma resistência, a queda nessa resistência aumenta e a tensão no colector diminui. Por isso, uma variação positiva na entrada produz, no modelo usual, uma variação negativa na saída: há inversão de fase. O ganho e a frequência útil dependem da polarização, da carga e das capacidades parasitas.
Ver 1 pergunta relacionada
Um FET usa a tensão aplicada ao terminal de controlo para influenciar a corrente do canal. A terminologia e os limites dependem do tipo de dispositivo; nunca se deve trocar os terminais sem consultar a folha de dados.
O mesmo dispositivo activo pode cumprir funções diferentes conforme a polarização e a realimentação. Um transístor pode trabalhar como amplificador na região activa, como comutador entre corte e saturação, ou como elemento activo de um oscilador quando uma rede selectiva devolve à entrada uma fracção do sinal com fase e ganho adequados. O oscilador não cria energia: converte energia da alimentação numa oscilação sustentada.
Ver 1 pergunta relacionada
Aplicações e condições a reter
Um transístor de junção bipolar (BJT) é um dispositivo não linear de três terminais: emissor, base e colector. A polarização determina a região de funcionamento; uma pequena variação do sinal pode ser amplificada aproximadamente de forma linear em torno de um ponto adequado, sem tornar linear a característica completa do dispositivo.
Ver 1 pergunta relacionada
A polarização estabelece tensões e correntes contínuas que definem o ponto de funcionamento do transístor antes de aplicar o sinal. Para amplificação linear, escolher a região activa e margem para a excursão AC; corte ou saturação dos picos distorcem o sinal. Polarização DC e sinal AC têm funções diferentes.
Ver 1 pergunta relacionada
Há amplificação de tensão quando um sinal AC aplicado à entrada produz na saída uma amplitude AC maior, comparada pelo mesmo critério de pico ou valor eficaz. A energia adicional vem da alimentação. Identificar frequência, carga e limites de excursão; uma tensão DC de polarização maior não prova ganho para o sinal AC.
Ver 1 pergunta relacionada
6. Válvulas termiónicas
Uma válvula termiónica aquece um cátodo para libertar electrões — emissão termiónica — que se deslocam em vácuo para o ânodo quando existe uma diferença de potencial adequada. Uma grelha colocada entre cátodo e ânodo controla esse fluxo.
Ver 1 pergunta relacionada
| Válvula | Elementos que interessa reconhecer | Função introdutória |
|---|---|---|
| Díodo | cátodo e ânodoVer 1 pergunta relacionada | Rectificação ou detecção |
| Tríodo | cátodo, ânodo e grelha de controlo | Amplificação e oscilação |
| Tetrodo | tríodo + grelha de blindagem | Reduz capacidade efectiva e melhora o controlo |
| Pentodo | tetrodo + grelha supressora | Reduz efeitos de emissão secundária |
As válvulas exigem aquecimento e tensões elevadas. A ausência de tensão depois de desligar não deve ser presumida: condensadores de fonte podem permanecer carregados.
As válvulas perderam espaço na electrónica de consumo porque, em geral, são maiores, exigem aquecimento e tensões elevadas, dissipam mais calor e têm menor robustez mecânica/eficiência que muitos dispositivos de estado sólido. Continuam úteis em algumas aplicações de potência, áudio e micro-ondas quando as suas características são desejáveis.
Ver 1 pergunta relacionada
Aplicações e condições a reter
O número de elementos funcionais de uma válvula conta o cátodo, o ânodo e as grelhas: tríodo tem três (uma grelha); tétrodo tem quatro (duas grelhas); pêntodo tem cinco (três grelhas). O aquecedor de um cátodo indirectamente aquecido não é contado como uma grelha adicional. A grelha de controlo fica entre cátodo e ânodo e controla o fluxo de electrões.
Ver 2 perguntas relacionadas
7. Transformadores e acoplamento
Um transformador transfere energia por acoplamento magnético entre enrolamentos. No modelo ideal, a relação de tensões acompanha a relação de espiras:
Ver 1 pergunta relacionada
Legenda: \(V_{\mathrm{1}}\) e \(V_{\mathrm{2}}\): tensões eficazes no primário e secundário (V); \(N_{\mathrm{1}}\) e \(N_{\mathrm{2}}\): números de espiras dos respectivos enrolamentos (sem unidade).
Pode elevar ou reduzir tensão, proporcionar isolamento galvânico e adaptar impedâncias. Precisa de fluxo variável; não transfere uma tensão contínua constante como um transformador de rede ideal. Em rádio, transformadores e bobinas acopladas aparecem em fontes, filtros, FI e circuitos de adaptação.
Ver 4 perguntas relacionadas
- Pergunta 113 — Um transformador com o primário ligado à rede elétrica, apresenta nos terminais do secundário em vazio o valor de 5,2 V
- Pergunta 114 — Um transformador, projectado para o efeito, com o primário ligado à rede eléctrica, apresenta nos terminais do secundário em vazio 5,2 V
- Pergunta 115 — Qual das seguintes afirmações é verdadeira?
- Pergunta 116 — Qual das seguintes afirmações é verdadeira?
Transformador real sob carga
O valor calculado pela relação de espiras é uma aproximação da tensão em vazio. Quando se liga uma carga, a resistência dos enrolamentos e a indutância de fuga produzem uma queda adicional: a tensão secundária pode baixar, parte da energia transforma-se em calor e o rendimento fica abaixo de 100 %. A frequência não é transformada pelo componente; segue a frequência da tensão aplicada, dentro da faixa de funcionamento do núcleo. Mede a tensão em vazio e sob a carga prevista, e confirma potência, temperatura, isolamento e folha de dados antes de concluir que um transformador está adequado.
Ver 3 perguntas relacionadas
- Pergunta 112 — Qual das afirmações é verdadeira?
- Pergunta 411 — Se considerarmos um transformador, projectado para o efeito, com o primário ligado à rede eléctrica e apresentando nos terminais do secundário em vazio 12,6 V, qual das afirmações está correcta?
- Pergunta 425 — Se considerarmos um transformador comercialmente disponível com o primário ligado à rede elétrica e apresentando nos terminais do secundário em vazio o valor de 12,6 V, qual das afirmações está correta?
Ponto de pausa 2: antes de combinar blocos, confirma que consegues identificar terminais, polarização e função de díodos, transístores, válvulas e transformadores sem os tratar como componentes ideais ilimitados.
8. Filtros e aplicações em radioamadorismo
Um filtro selecciona uma região de frequências. A frequência de corte não significa que o sinal desaparece instantaneamente: a transição tem uma inclinação e o filtro tem perdas, ondulação e rejeição finita.
| Tipo | Deixa passar | Exemplo de utilização |
|---|---|---|
| Passa-baixo (LPF) | Frequências abaixo do corte | Atenuar harmónicos à saída de um emissor |
| Passa-alto (HPF) | Frequências acima do corteVer 1 pergunta relacionada | Remover ronco de rede ou componente lenta |
| Passa-banda (BPF) | Uma faixa limitadaVer 1 pergunta relacionada | Pré-selecção de uma banda antes do misturador |
| Rejeita-banda | Rejeita uma faixa delimitada; chama-se notch quando muito estreitaVer 1 pergunta relacionada | Atenuar interferência na faixa seleccionada |
Filtros RC são simples e comuns em áudio e controlo. Filtros LC são úteis em RF porque podem ter perdas menores e selectividade superior, mas exigem atenção à impedância e ao factor de qualidade. Um passa-baixo de saída reduz harmónicos; não elimina automaticamente intermodulação criada antes do filtro nem corrige sobremodulação.
As perdas série de uma bobina ou de uma rede ressonante podem ser representadas por uma resistência parasita \(R_{\mathrm{s}}\). Uma aproximação do factor de qualidade de uma bobina na frequência de trabalho é \(Q ≈ X_{\mathrm{L}} / R_{\mathrm{s}}\); Q elevado significa menores perdas relativas e, numa rede ressonante, uma faixa mais estreita. O valor deixa de ser fiável perto da auto-ressonância ou quando a carga e o acoplamento dominam o circuito.
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Legenda: \(Q\): factor de qualidade da bobina (sem unidade); \(X_{\mathrm{L}}\): reactância indutiva (Ω); \(R_{\mathrm{s}}\): resistência série equivalente de perdas (Ω), à mesma frequência.
Um amplificador sintonizado inclui uma rede ressonante que favorece uma faixa em torno da frequência de sintonia e atenua frequências afastadas. A resposta é, por isso, tipicamente passa-banda. A largura da faixa depende do factor de qualidade, do acoplamento e da carga: maior selectividade significa normalmente uma faixa mais estreita e maior sensibilidade à sintonia.
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Siglas e abreviaturas usadas neste módulo
Cada entrada apresenta a expressão original, a língua e o significado em português neste contexto.
- AC — Alternating Current (inglês): corrente alternada.
- BJT — Bipolar Junction Transistor (inglês): transístor bipolar de junção.
- BPF — Band-Pass Filter (inglês): filtro passa-banda.
- CA — corrente alternada (português): equivalente à sigla inglesa AC.
- DC — Direct Current (inglês): corrente contínua.
- ESR — Equivalent Series Resistance (inglês): resistência série equivalente.
- FET — Field-Effect Transistor (inglês): transístor de efeito de campo.
- FI — frequência intermédia (português): equivalente à sigla inglesa IF.
- HPF — High-Pass Filter (inglês): filtro passa-alto.
- IEC — International Electrotechnical Commission (inglês): Comissão Electrotécnica Internacional.
- LED — Light-Emitting Diode (inglês): díodo emissor de luz.
- LPF — Low-Pass Filter (inglês): filtro passa-baixo.
- NPN — n–p–n (convenção de semicondutores): sequência das regiões de tipo n, p e n; não é uma sigla de palavras inglesas.
- NTC — Negative Temperature Coefficient (inglês): coeficiente de temperatura negativo.
- PIV — Peak Inverse Voltage (inglês): tensão inversa de pico.
- PLL — Phase-Locked Loop (inglês): malha de sincronismo de fase.
- PNP — p–n–p (convenção de semicondutores): sequência das regiões de tipo p, n e p; não é uma sigla de palavras inglesas.
- PTC — Positive Temperature Coefficient (inglês): coeficiente de temperatura positivo.
- RF — Radio Frequency (inglês): radiofrequência.
- VCO — Voltage-Controlled Oscillator (inglês): oscilador controlado por tensão.
Os códigos Q são grupos convencionais com significados definidos, não iniciais de palavras. As letras de componentes (R, L, C) representam resistência, indutância e capacidade; números como R1 ou C2 identificam componentes.
Referências terminológicas: abreviaturas da ARRL e glossário de electrónica da Analog Devices.
9. Fontes, termístores e desacoplamento
Uma fonte de alimentação deve fornecer tensão estável, corrente suficiente e protecção adequada. Uma fonte linear tende a produzir menos ruído de comutação, mas dissipa mais calor quando reduz tensão. Uma fonte comutada pode ser eficiente e compacta, mas pode introduzir ruído conduzido ou radiado; filtros, ferrites, blindagem e encaminhamento correcto ajudam a controlá-lo.
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Um termístor NTC diminui a resistência quando aquece e pode limitar a corrente de arranque. Um PTC aumenta a resistência quando aquece e pode ser usado para protecção ou limitação. O comportamento concreto deve ser confirmado na folha de dados.
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Condensadores de desacoplamento junto aos circuitos reduzem variações locais de alimentação. Um condensador de bypass pode oferecer um caminho de baixa impedância para RF para a massa. Estes componentes devem ser instalados com ligações curtas e uma massa adequada para a frequência em causa.
Diagnóstico guiado: seguir a energia e o sinal
Quando um circuito não funciona, evita trocar componentes ao acaso. Lê-o numa ordem fixa:
- confirma a fonte, a polaridade, a massa e a existência de tensão no ponto de entrada;
- segue o caminho da energia até à carga e procura um componente aberto, curto-circuitado ou ligado ao contrário;
- segue o caminho do sinal e identifica onde aparece a primeira alteração;
- compara a medição com o limite do componente, não apenas com o valor nominal esperado;
- interrompe o teste se houver aquecimento anormal, tensão desconhecida, condensador carregado ou risco de curto-circuito.
| Sintoma | Primeiro ponto a verificar | Conclusão que ainda não se pode tirar |
|---|---|---|
| fonte rectificada com ondulação elevada | capacidade, ESR, corrente da carga e frequência de rectificação | que o díodo esteja necessariamente avariado |
| Zener aquece ou a tensão não estabiliza | resistência limitadora, corrente e potência do Zener | que a tensão nominal da fonte seja suficiente para regular |
| transístor aquece sem sinal útil | polarização, região de funcionamento, carga e dissipação | que o ganho seja a única causa |
| filtro atenua também o sinal desejado | frequência de corte, terminação e largura de banda | que um filtro “mais forte” seja automaticamente melhor |
| circuito de RF muda ao tocar na montagem | massa, comprimento das ligações e capacidade parasita | que o componente tenha mudado de valor nominal |
Este diagnóstico é uma sequência de estudo. Em equipamento ligado à rede ou em fontes com tensão elevada, a medição deve ser feita por pessoa habilitada e com procedimento apropriado.
Exercícios
Tenta responder antes de abrir a resposta.
1Reconhecimento — Duas resistências de \(100 Ω\) em paralelo resultam em quê?
para duas resistências iguais, \(R_{eq}=R/2=100\,Ω/2=50\,Ω\).
2Cálculo — Se uma resistência de \(25 Ω\) recebe \(10 V\), que potência dissipa?
\(P = V² / R = 10² / 25 = 4 W\).
3Relação — Se a frequência aumenta por um factor de 10, como variam \(X_{\mathrm{C}}\) e \(X_{\mathrm{L}}\), mantendo os restantes valores?
\(X_{\mathrm{C}}\) diminui por um factor de 10 e \(X_{\mathrm{L}}\) aumenta por um factor de 10.
4Rectificação — Qual é a função de uma ponte com quatro díodos e do condensador colocado depois dela?
a ponte faz rectificação de onda completa; o condensador reduz a ondulação, mas não substitui o regulador.
5Segurança — Porque precisa um Zener de limitação de corrente?
porque ligado directamente a uma fonte de baixa impedância pode conduzir corrente excessiva, aquecer e falhar.
6Transístor — Para \(β = 100\) e \(I_{\mathrm{B}} = 20 µA\), que corrente de colector dá o modelo simples?
\(I_{\mathrm{C}} ≈ β \times I_{\mathrm{B}} = 2 mA\), desde que o transístor esteja na região activa.
7Filtros — Para que serve um filtro passa-baixo na saída de um emissor?
para atenuar harmónicos acima da banda pretendida; não corrige automaticamente uma intermodulação criada antes do filtro.
8Componentes — Porque se confirma a tensão de trabalho de um condensador?
porque ultrapassá-la pode provocar fuga, falha do dieléctrico e risco de segurança.
9Cálculo — Dois condensadores de \(100 nF\) em paralelo e em série equivalem a que valores?
em paralelo, \(C_{eq}=C_{\mathrm{1}}+C_{\mathrm{2}}=100+100=200\,\mathrm{nF}\). Em série e com valores iguais, \(C_{eq}=C/2=100/2=50\,\mathrm{nF}\).
10Díodos — Que terminal é identificado pela barra do símbolo?
o cátodo.
11Transístores — Qual é a diferença essencial entre NPN e PNP?
a sequência das regiões semicondutoras e as polaridades usuais de polarização; a seta do emissor ajuda a identificar o tipo.
12Protecção — Para que serve um díodo de roda livre numa bobina?
fornece um caminho à corrente quando o interruptor abre e limita o pico de tensão induzida.
13Cálculo — Uma fonte de 100 V rms aplicada a um rectificador de meia onda tem que pico aproximado?
\(V_{\mathrm{p}} = 100 \times \sqrt{2} ≈ 141 V\); no modelo ideal, esse valor aproxima a tensão inversa máxima no díodo.
14Símbolos — No esquema de símbolos deste módulo, como se distinguem o díodo Zener e o LED?
o Zener tem a barra do cátodo com os extremos dobrados e o LED tem duas setas a sair do símbolo do díodo.
15Regime permanente — Em corrente contínua estabilizada, como se comportam os modelos ideais de condensador e bobina?
o condensador como circuito aberto depois de carregado e a bobina como curto-circuito; os transitórios e componentes reais exigem ressalvas.
16Ressonância — Porque é tipicamente passa-banda a resposta de um amplificador sintonizado?
porque a rede ressonante favorece uma faixa em torno da frequência de sintonia e atenua frequências afastadas.
17Oscilação — Um transístor pode ser usado como oscilador?
sim, com polarização, ganho e realimentação selectiva adequados; a energia da oscilação vem da alimentação.
18Diagnóstico — Uma fonte rectificada apresenta muita ondulação. Que pontos verificas primeiro?
capacidade, ESR, corrente da carga, frequência de rectificação, ligações de massa e regulador; não se conclui logo que o díodo esteja avariado.
19Diagnóstico — Um LED é ligado a uma fonte sem resistência limitadora. Qual é o risco principal?
a corrente pode exceder o limite do LED e destruí-lo; deve existir limitação adequada à tensão e à corrente do circuito.
20Decisão — Um transístor aquece e o sinal de saída é pequeno. O que deve ser verificado antes de trocar o componente?
polarização, região de funcionamento, carga, frequência, dissipação e ligações; um ganho insuficiente não prova por si só que o transístor esteja avariado.
21Transformador real — O que pode acontecer à tensão secundária quando uma carga é ligada?
pode baixar ligeiramente por resistência dos enrolamentos e fugas; parte da energia transforma-se em calor, embora a frequência siga a da fonte aplicada.
12. Erros frequentes
- tratar condensador e bobina como se tivessem a mesma resposta à frequência;
- escolher uma resistência apenas pelo valor em ohms e ignorar a potência;
- ligar um electrolítico ou um Zener sem confirmar polaridade e condições de trabalho;
- assumir que a corrente de base pode ser calculada sem verificar a região de funcionamento;
- confundir um filtro passa-baixo com um filtro passa-banda;
- esquecer que um condensador carregado, uma fonte de válvulas ou uma bateria podem conservar energia;
- usar um componente sem respeitar a folha de dados, a frequência, a temperatura e a dissipação.
13. Resumo e glossário
Um circuito combina componentes com funções diferentes. A resistência limita e dissipa; o condensador e a bobina armazenam energia em campos diferentes; o díodo conduz de forma assimétrica; o transístor controla; o transformador transfere por fluxo variável; o filtro selecciona frequências. Em cada caso, o modelo ideal é apenas o primeiro passo: o componente real tem limites e parasitas.
Termos para rever: resistência, capacidade, indutância, reactância, polarização, rectificação, ondulação, cátodo, ânodo, Zener, varicap, região activa, saturação, corte, emissor, base, colector, grelha, transformador, acoplamento, filtro, frequência de corte, desacoplamento, ESR e dissipação.
Fontes e versão
Tipo de conteúdo: explicação técnica e exercícios didácticos, apoiados no programa de exame e em referências de física/electrónica. Não substitui uma folha de dados, um procedimento de segurança ou uma fonte normativa aplicável.
- Procedimentos e programa de exame — resistências, condensadores, bobinas, transformadores, díodos, transístores, válvulas e filtros no Anexo 1.
- OpenStax — Circuitos e instrumentos DC — corrente, resistência e circuitos.
- All About Circuits — Passive Components in RF Circuits — modelos não ideais e parasitas em RF.
- All About Circuits — Diodes — funcionamento introdutório de díodos.
- OpenStax — Electric Power — potência e dissipação.
- OpenStax — Capacitors and Dielectrics — carga, energia, dieléctrico e capacidade.
- OpenStax — Semiconductor Devices — junção P-N, díodo e transístor.
- All About Circuits — Junction Diodes — polarização, rectificação e aplicações de díodos.
- IEC 60617 — Graphical Symbols for Diagrams — referência internacional para símbolos electrotécnicos, incluindo díodo geral, varicap, díodo túnel e díodo de ruptura.
- Nexperia — Diode Application Handbook — funcionamento e símbolos usuais do díodo Zener.
- fonte histórica — figura original image-49 — correspondência visual D1–D4 usada nas perguntas 125 e 126.
Data de verificação: 2026-08-24. Os valores usados nos exercícios são exemplos didácticos; um componente real deve ser seleccionado pela respectiva folha de dados.